domingo, 20 de novembro de 2011

OBRA ANÁLOGA - Requalificação do edifício EDIFÍCIO RISKALLAH JORGE

1. Histórico
O edifício Riskallah Jorge, localizado na Rua Riskallah Jorge n° 50, esquina com a Avenida Prestes Maia, do Bairro Santa Ifigênia do distrito da República, no centro histórico de São Paulo,
foi de propriedade da Companhia Antarctica Paulista, projetado no estilo eclético, na década de 40, para hospedagem e denominado, à época, Hotel Pinguin (SILVA E SALCEDO, 2005, p.31).
Tal edifício foi sede do grupo Votorantim por 20 anos, até ser vendido nos anos 70 para a Real e Benemérita Sociedade Portuguesa de Beneficência. A partir daí, esteve vazio e em processo de deterioração.
O edifício Riskallah se encontra na Área do Vale de Anhangabaú, tombado no Nível de Proteção 3 (NP-3) pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo – CONPRESP, segundo Resolução n° 37/92. Segundo o Artigo 2° da Resolução CONPRESP 37/92 o Nível de Proteção 3 (NP-3): “corresponde a bens de interesse histórico, arquitetônico, paisagístico ou ambiental, determinando a preservação de suas características externas”. Também o Artigo 4° ressalta que “Todos os bens tombados são passíveis de restauração, reciclagem, revitalização e reformas, visando sua adequação funcional, devendo os projetos serem submetidos à prévia aprovação do CONPRESP”.
O prédio vazio foi ocupado pelo Movimento de Moradia do Centro (MMC) e, após a expulsão do grupo, através do PAR, a Prefeitura de São Paulo em convênio com a Caixa Econômica Federal, restaurou e reciclou o prédio para adequar 167 apartamentos para a população com renda mensal entre três e seis salários mínimos.
Esse projeto de restauração e reciclagem esteve a cargo do Escritório de Restauro Helena Saia e a construção foi realizada pela Cury Empreendimentos Imobiliários Ltda. O valor pago pelo imóvel foi de R$ 2.100.000,00 e o da operação foi de R$ 4.117.938,38 (CAIXA ECONÔMICA FEDERALSP, 2007), tendo ele sido entregue aos beneficiários desse programa em janeiro de 2003.

2. Prédio original
O terreno de forma triangular, com duas frentes, tem uma área total de 518,70 m², medindo a frente principal 42,20m (COHAB-SP, 2004). A construção abrange a totalidade do terreno, com uma área construída perfazendo um total de 7.472,90 m² (COHAB-SP, 2004), compreendendo-se o subsolo, o térreo e 17 pavimentos. Para o Acesso aos pavimentos havia três elevadores e duas escadas.

3. Restauração e reciclagem do prédio
A Prefeitura de São Paulo em convênio com a Caixa Econômica Federal e com recursos do PAR, reciclou o prédio. O custo da obra (aquisição do prédio, reforma e legalização) foi orçado, em fevereiro/2001, em R$ 4.117.938,38 (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL-SP, 2007). O projeto de adequação para uso residencial foi realizado pelo Escritório de Restauro Helena Saia.
Os 17 andares foram adequados para abrigar 167 unidades residenciais em 167 apartamentos conjugados ou quitinetes (sala-copa-dormitório, cozinha) com banheiro, sendo 2 deles apartamentos com um dormitório, sala/copa/cozinha e banheiro.
No subsolo estão os reservatórios de água, elevadores e escada. O pavimento térreo abriga a recepção, um apartamento com um dormitório, cozinha e banheiro, um salão comunitário de usos múltiplos, depósito de lixo, centro de medição de gás, dois banheiros, sendo um masculino e outro feminino, três elevadores e duas escadas.
O 1° pavimento abriga 11 apartamentos conjugados, lavanderia coletiva, corredor, três elevadores e duas escadas. O 2° abriga 11 apartamentos conjugados, três elevadores, corredor e duas escadas. Do 3° ao 11°andar, abrigam, em cada piso, 11 apartamentos conjugados, três elevadores e uma escada.
Do 12° ao 13° pavimentos, abrigam, cada um, 9 apartamentos conjugados por piso. O 14°pavimento abriga 9 apartamentos conjugados, três elevadores e uma escada. O 15° pavimento abriga 8 apartamentos conjugados, três elevadores e uma escada. O 16° pavimento abriga 3 apartamentos, cada um com sala-copa-cozinha, um dormitório e banheiro, sendo dois apartamentos conjugados, três elevadores e uma escada.
O 17° pavimento abriga 3 apartamentos, cada um com sala-cozinha, um dormitório e um banheiro, dois apartamentos conjugados, uma escada e casa de máquinas do elevador. Na cobertura fica a caixa de água (Foto2, e Figuras 4, 5, 6, 7, 8).

Foram recuperadas as cores originais da parede externa, as janelas, as portas de ferro e as ferragens antigas que estavam em bom estado. Os elementos originais do saguão, o piso, as colunas e as paredes em mármore de Carrara foram restaurados. No acabamento interno foram recuperados os pisos de taco, as soleiras e os peitoris em mármore. Para a divisão das unidades de habitação utilizaram-se blocos de concreto celular. Três dos quatro elevadores originais foram mantidos, só um deles foi desativado por atender apenas até o 2° pavimento. Em janeiro de 2003 o prédio foi entregue à população.


Foto 1. Fachada principal Edifício Riskallah Jorge 


Figura 1. Planta subsolo Edifício Riskallah Jorge
Fonte: Salcedo, 2006 Fonte: Escritório Helena Saia, 2001
             
Figura 2. Planta térreo Edifício Riskallah Jorge

Figura 3. Planta 1° pavimento Edifício Riskallah Jorge
Fonte: Escritório Helena Saia, 2001 Fonte: Escritório Helena Saia, 2001

Figura 4. Planta 2° pavimento Edifício Riskallah Jorge


Figura 5. Planta 3° ao 11° pavimentos
Fonte: Escritório Helena Saia, 2001 Edifício Riskallah Jorge
Fonte: Escritório Helena Saia, 2001

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