domingo, 28 de agosto de 2011

Moradia popular no Balança mas não Cai

Construído na década de 40, prédio abandonado no centro de BH abrigará 68 apartamentos de dois quartos


Mais conhecido como Balança mas não Cai, o edifício Tupis está em processo de venda ao empresário e presidente da Câmara de Indústria de Construção da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Teodomiro Diniz Camargos, que deverá transformá-lo em prédio residencial. A informação foi confirmada ontem pelo empresário, mas ele adiantou que o negócio ainda não foi fechado por se tratar de um imóvel com vários donos. "Comprei o chão do edifício. O processo está atrasado. Ainda estou negociando com os proprietários", afirmou Camargos.

Ontem, o prefeito Fernando Pimentel, além de comemorar a iniciativa, demonstrou apoio às negociações. "Temos a notícia da compra do Balança mas não Cai por um empresário que tem o perfil de revitalizar outros prédios da cidade. É uma notícia muito boa, era um problema que existia há anos e não havia solução. A prefeitura vai licenciar o que for necessário", disse.

O novo projeto do edifício prevê a construção de 68 apartamentos de dois quartos cada, nos 17 andares. A expectativa é que o empreendimento tenha a mesma característica do antigo edifício da Companhia Vale do Rio Doce, na rua São Paulo, que também foi adquirido e transformado em prédio residencial por Teodomiro Camargos.

Segundo o secretário da Regional Centro-Sul, Fernando Cabral, o investimento da iniciativa privada em construções antigas e abandonadas no hipercentro da capital está sendo incentivado pela Prefeitura de Belo Horizonte. "Eu tenho expectativa que sejam apartamentos espaçosos, mesmo com dois quartos. Não vai ter garagem, assim como a maioria dos imóveis do centro", disse Cabral.

O prédio, que fica localizado nas esquinas da rua Tupis com avenida Amazonas, foi construído em 1945 e se encontra completamente abandonado. A Defesa Civil, juntamente com fiscais da prefeitura, interditou o local em outubro do ano passado e todo o entorno do edifício, inclusive com a instalação de cercas de arame, para evitar invasões. Para Cabral, o local é considerado um ícone de abandono da região central e sua revitalização pode dar um "acabamento" nas melhorias que já acontecem no hipercentro. "Graças à requalificação de alguns espaços públicos, instalação de câmeras e melhorias viárias, tornou-se possível a viabilidade do Balança mas não Cai."

O diretor do conselho da Câmara dos Dirigentes Lojistas (CDL) Regional Hipercentro, Marcos Innecco, explica que a vinda de moradores para a região contribui diretamente para a revitalização do centro da cidade. "É essa população que vai cuidar do centro. Essa reforma no prédio só vai fazer a capital ganhar com isso. Isso faz parte de um projeto maior, que é trazer gente para morar nesse espaço. Assim, essas localidade terá vida sadia, sem violência, abandono e desleixo." (Com Mariana Lara)

Notícia da reforma agrada vizinhos

Os moradores e comerciantes do entorno do edifício Tupis não escondem a satisfação com a possibilidade de reforma do prédio. A vendedora de cosméticos Solange Yasodara de Souza, 53, moradora de um prédio em frente ao Balança mas não Cai, na avenida Amazonas, se incomoda com a visão do imóvel abandonado. “Fico com receio de que a estrutura não agüente e desabe”, conta.

O fim da violência e do trânsito de pessoas que costumam invadir o prédio abandonado é um alento que pode ser trazido com a revitalização do edifício. Guilherme Gazire, dono de uma loja de camisas na rua Tupis, se diz empolgado com a possibilidade de aumentar as vendas com a vinda de novos moradores. “O prédio desse jeito é muito feio. Já aconteceram problemas de incêndio, perigo de queda de paredes. Vai ser bom demais porque diminuirá os assaltos com o aumento do movimento”, avalia.

O corretor de imóveis Colombo Carvalho, 34, mora no quarteirão da rua Tupis, em um prédio próximo ao Balança mas não Cai. A expectativa de quem mora no entorno, garante o corretor, é de melhora na qualidade de vida dos vizinhos. “Com a reforma, vai compor a nossa rua. O lado em que o prédio fica é bem mais vazio e sem movimento. Do outro lado, temos padarias, farmácias e lanchonetes.”

(FMM)
Publicado em: 12/03/2008
O Tempo 

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